O autocarro está reservado com quatro MB WAY e uma promessa
Sinal de 150 euros, visita de estudo na sexta e 40% de chuva que ninguém sabe explicar. Crónica de uma encarregada de educação com o telemóvel em chamas.
Tomasz Żyłka · 3 min de leitura
Na segunda-feira de manhã, a empresa de autocarros disse-me uma frase simples: "Para segurar a data, precisamos de um sinal de 150 euros até quinta."
Respondi "claro, sem problema", com a confiança de quem ainda não abriu o grupo de WhatsApp.
Sou eu a pessoa que ficou com o dinheiro da turma este ano. Ninguém me obrigou. Foi uma reunião de pais em setembro, um silêncio comprido e a minha mão a levantar-se sozinha, como o braço de um boneco articulado.
A matemática, que é a parte fácil
Vinte e seis alunos. Doze euros por família para a visita de estudo à quinta pedagógica, autocarro incluído. Trezentos e doze euros no total. O sinal é metade, mais ou menos, e fica "não reembolsável em caso de desistência", uma expressão que me fez ler o contrato três vezes e uma quarta com a luz do candeeiro.
Na terça à noite, o estado real do dinheiro era este:
- 4 MB WAY recebidos (48 euros)
- 1 envelope entregue à professora (12 euros, por dentro de um caderno de capa azul)
- 1 mensagem de uma mãe: "Já fiz a transferência!!"
Essa mãe não tinha feito a transferência. (Ia fazer, claro. Eu também ia.) Eu sei porque verifiquei três vezes, e verificar três vezes é a minha segunda profissão.
Portanto: um sinal de 150 euros, 60 euros de realidade e uma promessa de transferência.
Os dois tipos de pagamento
Aprendi isto em três semanas, mais depressa do que em qualquer guia do tesoureiro de turma. Há quem pague quando recebe o pedido. E há quem pague na noite da data-limite, às 23:52, com um MB WAY e o descritivo "visita". Só "visita". Que visita? De quem? Para onde? O MB WAY sabe, mas não diz.
Adoro estes pais. A sério. Já estive desse lado do telemóvel, a pagar às 23:52, a jurar que "ia fazer isso de manhã" desde terça. Ninguém me julgou. Fica registado.
Abro aqui um parêntesis meteorológico
A visita está marcada para sexta, e o IPMA diz "40% de probabilidade de chuva".
Quarenta por cento de quê? De chover quarenta por cento do dia? De chover em quarenta por cento da região? De haver quarenta por cento de hipóteses de eu perder a paciência? Pesquisei durante dez minutos, numa tarde em que devia estar a trabalhar, e a explicação existe, está escrita em letras pequenas, e continua a não me tranquilizar.
Se chover, a visita adia-se. O sinal não se adia. O sinal é daquelas coisas que, uma vez pagas, ficam firmes como uma rotunda.
Mas vamos voltar ao dinheiro.
A quinta-feira, e o milagre das 23:52
Na quarta à noite escrevi uma mensagem curta no grupo. Sem "relembro" nem "cobrança", palavras que parecem multas. Escrevi: "Boa noite! Falta o dinheiro da visita de sexta (12 euros por aluno). MB WAY ou envelope, o que for mais fácil. Obrigada a todos!"
Quinta de manhã: 9 pagamentos. Ao almoço: 14. Às 23:52, quando eu já tinha o contrato impresso e o chá frio: mais dez, de seguida, como chuva em Lisboa, tudo ao mesmo tempo.
O sinal foi pago às 23:58. Faltavam duas pessoas. Paguei do meu bolso o que faltava e disse que não era nada. Era alguma coisa, mas esse assunto fica para outro dia.
Como acabou, e não tem moral
Desde então, mando o pedido por um link: cada família vê o que deve e o que já pagou, sem instalar nada (está nas perguntas frequentes, fui confirmar), e, com o Premium, os lembretes vão sozinhos, sempre com o mesmo tom, para eu não ter de ser simpática por escrito às onze da noite. Funciona. Pronto.
A sexta-feira chegou. O autocarro chegou. O motorista chegou, estacionou à primeira e pediu desculpa por um atraso de um minuto, o que em Portugal merece nota no jornal local.
Choveu? Não choveu. Esteve sol, um sol tão limpo que me deu vontade de pedir desculpa a alguém.
A previsão para o sábado era de 40% de chuva. De quê, ainda ninguém sabe.